ESPAÇO 000 Ricardo Cristófaro 
Ricardo Cristófaro 

(( sobre a obra tridimensional de ricardo cristófaro )) 

"Do Prometeu arquetípico, Ricardo Cristofaro herdou um notável cabedal. O do fazedor com o mérito do conhecimento íntimo sobre as estruturas das coisas da Natureza e do mundo objetivo. Talvez isto se deva ao tempo da infância e da adolescência quando, na oficina mecânica de seu pai, deixava-se absorver por silhuetas e detalhes usurpadores do pensamento.

Uma vez sendo encontrado por seu universo de interesse, nunca mais as coisas deixaram de ajudá-lo na interpretação e no entendimento dos universos que o rodeiam, transformando-o em um colecionador de trivialidades e de detalhes sem importância. Do olhar potencializado por múltiplas vontades brotou então a arte de encontrar o que ele não procurava.

E, das sucessivas acumulações perceptivas foram aflorando suas formas “mutiladas”, materializadas a partir de analogias feitas com resíduos da vida mental. A proximidade com qualquer dos “objetos” resultantes não deixa enganos. Trata-se de uma linguagem tridimensional precisa que se explicita através de um espírito eminentemente construtivo. Seus volumes e seus vazios anunciam a conquista de um espaço privilegiado para a estrutura e para a sua ausência já que, segundo o próprio Ricardo, somente o invisível nos comove.

A maturidade vulcânica do seu fazer é um fato. Há minúcia no acabamento do detalhe. O rigor da produção de “corpos” geometrizados emerge e vem resgatar o olhar. Há pessoas que nascem para conduzir carruagens, outras para fazê-las. Penso ser o caso de Ricardo que, além de considerar com carinho as lembranças de saberes artesanais ancestrais, se engaja lucidamente em discussões sobre a forma, sua estrutura, suas possibilidades de volume e relevo.

Ao reler Duchamp por vieses libertários, o artista impressiona-se com a realidade trivial da materialidade cotidiana, reconduzindo o insignificante e o banal a uma dimensão cósmica. É quando sua urgência construtiva aciona estratificações de lembranças, recolhendo fragmentos de imagens e formas que, para o escultor, aparecem disfarçadas de intenção estética em casamentos possíveis entre a madeira e o ferro.

Por outro lado, referendando-se na teoria do não-objeto, Ricardo quer tratar de objetos impregnáveis dos rastros imperceptíveis de todo tipo de ferramenta, considerando formas e materiais escolhidos como palavras de um bom poeta. Um atávico desejo de simplesmente saber mais e mais sobre qualquer coisa e sobre seus misteriosos dispositivos de construção guia o artista na concepção de uma arquitetura diferenciada, interessada em criar novos refúgios para o olhar. Quanto aos títulos de algumas obras, não há dúvidas, eles transformam o refugo dos olhos em inteligência poética e a experiência sinestésica resultante amplia a consciência de quem se aproxima, enxerga e lê."

Marcus Hill
Apresentação de exposição individual
Belo Horizonte, setembro de 2002.

(( sobre o ricardo ))

O juizforano Ricardo Cristófaro nasceu em 1964. Formado em artes Plásticas pela UFJF, Ricardo é mestre em Arte e Tecnologia da Imagem pela UNB – Brasílai/DF.

Desde de 1986 trabalha como artista plástico. Freqüentou cursos e ateliês de artistas, tendo estudado com Arlindo Daibert, Leonino Leão, Amilcar de Castro, Marcos Coelho Benjamim, Marco Túlio Rezende, Carlos Fajardo, Lena Bergenstein, Julio Plaza, Elyeser Szturm, Elida Tessler, Gê Orthof e José Resende. Ricardo é professor do Departamento de Artes da UFJF desde 1988 e doutorando em Artes Visuais na UFRGS - Porto Alegre/RS.


Exposições Individuais
1988 - Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, Belo Horizonte /MG.
1990 - CIC, Florianópolis /SC.
1991 - Galeria de Arte da UFF, Niterói /RJ.
1992 - Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG.
1993 - Itaúgaleria, Belo Horizonte /MG.
1994 - Itaúgaleria, Brasília /DF.
1995 - CCBB, Juiz de Fora /MG.
1997 - Itaúgaleria, Vitória /ES.
1999 - Fernando Pedro Escritório de Arte, Belo Horizonte /MG.
2000 - Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG.
2001 - CCBB, Juiz de Fora/MG.
2002 - CCBB, Juiz de Fora/MG.
2003 - Centro Cultural Reitoria, Juiz de Fora/MG.

Principais exposições coletivas
1986 - 39º Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco – Recife/PE.
1987 - I Salão Escola Guignard/Sesiminas – Palácio das Artes, Belo
Horizonte/MG.
- VIII Salão Nello Nuno de Artes Visuais – Viçosa/MG.
1988 - 20º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte – Belo Horizonte/MG.
1989 - “Cada Cabeça uma Sentença”, MAM- São Paulo/SP e MNBA- Rio de
Janeiro /RJ.
- 21º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte Museu da Pampulha, BH/MG.
1990 - Coletiva na Galeria de Arte do IBEU, Rio de Janeiro /RJ.
- XV Salão de Arte Moderna de Ribeirão Preto Ribeirão Preto /SP.
1991 - 48º Salão Paranaense, Curitiba /PR.
- XII Salão Nacional de Artes Plásticas MAB, Brasília /DF.
- II Prêmio Brasília de Artes Plásticas MAB, Brasília /DF.
- XVI Salão de Arte Moderna de Ribeirão Preto /SP.
1992 - “500 años de Repression”, Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires/Argentina.
- “Cecília Meireles: Visão mineira”, Centro Cultural Cândido Mendes
Rio de Janeiro/RJ e Casa de Cultura Mário Quintana Porto Alegre/RS.
1993 - Projeto Macunaíma 93 IBAC/Funarte, Rio de Janeiro /RJ.
- Projeto “Coração da Cidade”, Juiz de Fora /MG.
1994 -“Pessoa/Pessoas”, Galeria da UFES, Vitória /ES.
- “Arte do Objeto”, Museu da Inconfidência, Ouro Preto/MG.
1995 - “Coletiva”, Ione Ribeiro Escritório de Arte, Juiz de Fora /MG.
- Coletiva no CCBB, Juiz de Fora /MG.
1996 - “Agudo/obtuso”, Galeria de Arte CEMIG, Belo Horizonte /MG.
- “Arte e Tecnologia” Itaúgaleria, Brasília /DF.
1997 - “Arte em Selo”, Galeria de Arte da ECT, Brasília /DF.
- “Coletiva” Ione Ribeiro Escritório de Arte, Juiz de Fora /MG.
1998 - Panorama das Artes de Brasília, Brasília /DF.
- Mercoarte, Mar Del Plata, Argentina.
1999 - “Átomo Puro”, Saguão da Biblioteca da UFJF, Juiz de Fora/MG.
- “Plásticas Sonoras”, Museu da Inconfidência, Ouro Preto/MG.
2000 - Internacional Art Computer Festival, Nova Gorica, Slovênia.
- “Ou isso ou aquilo”, CCBB, Juiz de Fora/MG.
2001 - “Urbi et Orbi”, Centro de Estudos Murilo Mendes, Juiz de Fora/MG.
- 6º Salon Mercosur , Buenos Aires/Argentina.
2002 - Brasil do Novo Milênio, Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG.
- Centro Cultural Pró-Música, Juiz de Fora/MG.
2003 - Pinacoteca da UFRGS, Porto Alegre/RS.
- Espaço Cultural Reitoria, UFJf, Juiz de Fora, MG.
2004 – File 2004 – Electronic Language International Festival – São Paulo/SP.
- 404 Festival Internacional de Arte Electrónico – Museo Municipal de Bellas
Artes, Rosário, Argentina.
2005 - Cinético Digital – Instituto Itaucultural, São Paulo SP
- Mapeamento - MAC Porto Alegre – Porto Alegre RS
- 15º Festival Internacional de Arte Eletrônica VideoBrasil, SESC Pompéia
São Paulo, SP.
- INCUBA Festival de Arte Electrônico, Rio Gallegos, Argentina.
- TRANSITIO_MX - Festival Internacional de Video y Artes Electrónicas, Centro
Cultural da Las Artes, Cidade do México.

Prêmios
- Prêmio Aquisição no 5º Salão da Ferrovia, Estação Carioca do Metrô Rio de
Janeiro /RJ. 1987
- 2º Prêmio no I Salão Escola Guignard/Sesiminas – Palácio das Artes, Belo
Horizonte/MG. 1988
- Prêmio Secretaria da Cultura do Estado de Minas Gerais no V Salão de Artes da
Aeronáutica, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte/MG, 1989.
- Prêmio Aquisição no II Prêmio Brasília de Artes Plásticas, Brasília /DF,1991.
- 2º Prêmio no Concurso Nacional Arte em Selo ECT/Brasília 1998.
- Prêmio Rumos Itaú Cultural Pesquisa Categoria Artemídia, Instituto Cultural
Itaú, São Paulo/SP, 2003.
- Menção Honrosa no File 2004 – Electronic Language International Festival –
São Paulo/SP.
- 1º Prêmio no INCUBA Festival de Arte Electrônico – Rio Gallegos, Argentina.



Referências e textos críticos sobre o trabalho
- SEBASTIÃO, Walter. Um panorama da arte em Minas, Estado de Minas,
2º Caderno, 18 de dezembro de 1990.
- SANTOS, Ângelo Oswaldo de Araújo. A arte de um Construtor.
Texto do catálogo da exposição na Galeria de Arte da UFF – Niterói - RJ, 1991.
- SEBASTIÃO, Walter - Ricardo Cristofaro põe em discussão o espaço da arte,
Estado de Minas, 2º Caderno, 7 de setembro de 1993.
- DAIBERT, Arlindo. Caderno de Escritos. Organização de Julio Castañon Guimarães.
Sobre Ricardo Cristofaro – I e II, Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, p. 150, 1995.
- BOUSSO, Daniela. Mapeamento Nacional da Produção Emergente: Rumos Itaú Cultural
Artes Visuais 1999/200 – São Paulo: Itaú Cultural: Imprensa Oficial do Estado:
Editora da Unesp, 2000, pág. 17.
- HILL, Marcos. Sobre a obra tridimensional de Ricardo Cristofaro. Texto do Catálogo
da exposição no Espaço Cultural Reitoria, Juiz de Fora, 2002.
- WERNECK, Ronaldo. "No meio da rua, do redemoinho: o mundo em descoberta" – Texto
de apresentação de Exposição Coletiva em Catguazes, MG, 2005.


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