(( máculas etéreas ))
"Há um pintor, uma obra, houve um crítico, conta o pintor norte-americano Jackson Pollock, que escreveu que meus quadros não tinham começo nem fim. Com isso, ele não queria fazer um elogio mas foi um elogio. Foi um belo elogio.
Na pintura, fonte de ilimitadas possibilidades, quanto mais se conhece e se domina a articulação do fazer mais se amplia o desconhecimento e a insaciável sede de dominação da linguagem. Pintar é sinalizar a idéia que se pronuncia a cada ato executivo, nos impulsionando a conservas interiores, a repensar o norte do caminho, a reexaminar históricos conceitos estéticos, a transgredir limites impostos e, ao mesmo tempo, atesta Harold Bloom, a escutar estas conversas. Conhecer-se e reconhecer-se na obra conduz a consciência de si.
As recentes criações de Petrillo advêm da conjugação do esqueleto da pintura, o desenho, com a própria pintura e aventam o somatório de definições de tipos de acontecimentos: segundo os gregos, um fato (pragma): uma evidência matérica constatada de modo indiscutível + uma coincidência (tyché): um episódio incerto ou imprevisível + uma saída (telos): uma determinada razão + uma surpresa (apodeston): uma incongruência + uma ação (drama): uma idéia de “fazer” ou a representação na tela; enroupados de poesia que reclama a criação contemporânea, doutrina da arte pela arte (do francês l’ art pour l’art) que assegura a autonomia da arte estatuindo a obra num corpo auto-referenciado.
No lenço, tela ou véu, vertem riscos e nódoas que citam elementos geográficos. São metáforas que abrigam o olhar, a ponte entre a alma e a criação, pondera Torres Agüero, a espiar o mundo como a casa das coisas misteriosas edificadoras da memória. Transeunte no tempo, a imaginação (a memória enlouquecida), mais importante que o saber, coloca em igual importância o rito de preparação do fazer e a preparação do espírito, concomitantemente.
Petrillo se acerca e se distancia do tachismo (do francês tache = mancha). Apodera-se da força dramática do embate, em negro e branco, que a matéria-tinta despeja nos lenços, originando borrões que, dispostos de modo palimpsesto, definem máculas etéreas e tênues em fundo vago.
Esboça garatujas – rios –, os caminhos mais antigos que a redondeza da terra, como certifica o poeta do cotidiano Mário Quintana, que, por determinação do seu destino, partem ao nascer e seguem silenciosos até onde tudo recomeça.
O percurso do criador e da sua criação é o percurso do rio: cumprir destino pelo tempo.
Os navegadores antigos acolhiam uma epígrafe gloriosa: navegar é preciso, viver não é preciso, à qual Fernando Pessoa emendou viver não é necessário, o que é necessário é criar.
Resoluto, tal ao navegador do passado, e obstinado tal ao Pessoa de outras pessoas, Petrillo se incutiu, há tempos, de inesgotáveis jornadas nos espaços confidenciais da pintura a investigar o ideário das coisas e a catalogar paradigmas que lhe conferem uma voz singular entre outras tantas e que nos permitem dizer: a pintura de Petrillo não lhe pertence, ele é quem pertence à sua pintura."
Pinho Neves Outubro, 2005.
(( sobre o petrillo ))
José Augusto Petrillo nasceu em 1975, na cidade de Valença/RJ. Formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Juiz Fora, Petrillo tem Pós-graduação em Design pela Universidade Estácio de Sá- JF/MG. Atualmente reside em Juiz de Fora e leciona no Curso de Arquitetura e Urbanismo/CES.
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS 2005 Centro Cultural Candido Mendes Rio de Janeiro RJ CEFET - Centro Ferroviário de Cultura de Barbacena MG HETÉREAS - Museu de Arte Moderna de Resende RJ
2004 Centro Cultural Bernardo Mascarenhas Juiz de Fora - MG Museu Chácara D. Catarina Cataguases MG Centro Cultural Correios Rio de Janeiro RJ LANDSCAPES - Galeria Almacén Rio de Janeiro RJ
2003 Centro Cultural da Telemar Belo Horizonte MG Fundação Cultural de Blumenau-SC Museu Nacional de Belas Artes Rio de Janeiro RJ
2002 Centro Cultural da UFMG Belo Horizonte - MG 2001 ALQUIMIA - Centro Cultural Bernardo Mascarenhas - Juiz de Fora - MG 2000 Materialidade - Trancredi Galeria de Arte- Vitória ES 1999 Investigações Espaço Cultural Saguão da Reitoria da UFJF/MG 1998 MEMORIAL- Espaço Cultural Banco do Brasil S/A - Juiz de Fora/MG
PREMIAÇÕES 2005 XXXIII Salão da Primavera Museu de Arte Moderna Resende - RJ Referência Especial do Júri 2002 II Salão de Arte do Vale do Aço- Fundação ACESITA - Timóteo - MG 1995 I Mostra Internacional de Arte Brasilenã - Salon Chileno en la Universidade de Taparacá en Arica - Chile Salon Arica en El Palácio Consistorial de La Ilustre Municipalidade de Arica - Chile XXIII Salão da Primavera Museu de Arte Moderna Resende - RJ - Referência Especial do Júri
PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES COLETIVAS 2005 PARALELO 10 Centro Cultural Bernardo Mascarenhas Juiz de Fora - MG Comemorativa 19 anos Galeria Almacén Rio de Janeiro RJ 7 Pecados - Centro Pascoal Carlos Magno Niterói RJ RIO 440ª Graus Atelier Belmonte Rio de Janeiro RJ
2004 UNIVERSIDARTE Universidade Estácio de Sá Juiz de Fora - MG Fórum da Cultura UFJF-MG 1 a 199 Galeria HIATO Juiz de Fora- MG
2003 Centenário Pedro Nava UFJF MG 7 Pecados HIATO Ambiente de Arte Galeria Juiz de Fora MG Museu Mariano Procópio Juiz de Fora MG Universidade Federal de Juiz de Fora MG
2002 Mezanino da Sala Villa Lobos - Teatro Nacional Cláudio Santoro - Brasília-DF
2001 Brasil do Novo Milênio - A Arte de Minas [artista convidado] - Itinerante Palácio das Artes Belo Horizonte - MG Galeria de Arte da Fundação Cultural de Uberaba MG Museu Chácara D. Catarina - F. Cultural Ormeu Junqueira Botelho Cataguases - MG Centro Ferroviário de Cultura de Barbacena - MG Ana Terra Galeria de Arte-Vitória- ES
2000 “Desenho Contemporâneo” - CCBM - Juiz de Fora - MG [artista convidado] TERRA BRASILIS, TERRA PAPAGALLI” Biblioteca Central UFJF - Juiz de Fora - MG “BRASIL-PORTUGAL: Memórias e Registros” - Centro Cultural da UFMG, Belo Horizonte - MG É isso ou aquilo Cecília Meirelles- CCBM Juiz de Fora- MG
1999 BRASIL-PORTUGAL: MEMÓRIAS E REGISTROS - Fundação Calouste Gulbenkian Lisboa/ Portugal Mostra FLUXUS - Galeria Espaço Experimental UFJF MG Projeto Amigos da Escola (TV Panorama- Juiz de Fora) TV Globo
1998 JUIZ PRETO DE OURO FORA Projeto Caem Cult-Ouro Preto-MG IV ENEARTE - UFES- Vitória ES 1995 Fundação Cultural Léa Pentagna - Valença - RJ Salão da Secretaria de Cultura de Cataguases - MG Mezanino da Sala Villa Lobos-Teatro Nacional Cláudio Santoro- Brasília/DF 29º Festival de Inverno da UFMG - Belo Horizonte - MG.
1994 Salão de Artes Plásticas da AMAN - Resende - RJ FOA - Fundação Oswaldo Aranha - Volta Redonda - RJ MAM - Museu de Arte Moderna de Resende RJ Memorial Getúlio Vargas - Volta Redonda RJ
MUSEUS E COLEÇÕES PARTICULARES Centro Cultural dos Correios- Rio de Janeiro- RJ Centro Cultural Candido Mendes Rio de Janeiro- RJ MAM - Museu de Arte Moderna de Resende-RJ CSN Companhia Siderúrgica Nacional - Volta Redonda - RJ Pinacoteca do Fórum da Cultura UFJF-MG Universidade Federal de Juiz de Fora MG Belgo Mineira Juiz de Fora - MG Prefeitura de Ipatinga - MG Fundação Ricardo Moisés Jr.-Juiz de Fora - MG Fundação Cultural Blumenau SC CCBM - Centro Cultural Bernardo Mascarenhas Juiz de Fora MG Universidade Estácio de Sá Juiz de Fora MG Jornal Tribuna de Minas Juiz de Fora MG Centro Cultural da UFMG Belo Horizonte - MG
PUBLICAÇÕES BRAZILIANART V Editora Jardim Contemporâneo Ribeirão Preto SP 2004.
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