ESPAÇO 000 Chico Brinati 
Chico Brinati 

(( sobre o autor ))

"Aos 25.
3,2,1... "Nasceu! É um menino homem!"
Gritava o doutor. Pode apostar.
Completava a dezena de Elza.
Nasceu gostando de peito, papinha e pirraça.
Passou por infância cruel, doenças, desgraça.
"Não chega aos sete anos. Pode apostar." Cresceu loiro, estudioso e branquelo.
Permaneceu chato, carente e magrelo.
Tem que aceitar! Tinha mais gordura no sangue que no resto do corpo.
"Não vive após os dezoito. Tem que tratar."
O umbigo entre as velas do Cruzeiro.
A criança, num mundo de aventuras e devaneios.
O sobrinho que era irmão. As irmãs que eram mães. A mãe que era mães.
A saudade de uma praça. A bola que nunca é gol. O raçudo que nunca é craque.
A amizade com as meninas. A paixão pelas meninas.
A estrutura pelos amigos. Os caminhos pela família.
O sozinho no quarto. O sonzinho no quarto. A lua na rede. O óculos, o aparelho.
O carro na garagem. A carteira na carteira.
O Chikin no Francisco. A mecânica como alternativa. A graxa nas unhas. Os amigos do coração. "Vai embora, meu filho! Isso não é pra você!" Vai vingar?
O curso corrido. O presidente falido.
O 31 da sorte. Da poeira à caneta. Da sobriedade à intelectualidade. O swing, o suor e a cerveja. Da vida à telinha. Bom jornalista? Ainda há tempo. Bons amigos? Foi-se o tempo.
Sono liberi, ragazzo! Amores, ilusão... Boêmia, mia. "Trim!" Pausa para o telefone. "Quem é?" O dinheiro. Sou a tempestade. Sono brinaccio.
E de trabalho? O dobro.
E de salário? É pouco.
É repórter? Da Globo...
Falta a barba, o cabelo, o bigode.
Sobra esperança, cansaço, "como pode?"
Gosta do cegar dos raios de sol, do frio sem chuva, das madrugadas com chuva. De criar sobre o criado. De brincar com o inventado.
Abafado... feliz!
Um quarto de século num 1/4 de apartamento.
E assim vai chegando.
23, 24... 25!"

Chico, síntese de Francisco.

Chico Brinati já foi pseudo-roteirista, aprendiz de jornalista, boêmio-escritor-amador. Homem gol nas ondas do rádio. Perna-de-pau pelos cantos do gramado. Mecânico de máquinas e amores. Por mesas de bar, vislumbrou "Macho Mass", "O AmBrÓSIO", jornais, risadas e mulheres.  Atualmente, é estudante de comunicação aposentado e (re)produtor de carteira assinada

(chico - divaga(r)ções de segunda de manhã)
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