ESPAÇO 000 Laila Soares 
Laila Soares 


Quando meninas de Credo experimentarem a trivialidade, ninguém mais pisa no chão, morde a lingua ou discerne uma alice de uma coelha.


(( sobre a criação da marca ))

A marca Credo foi inicialmente pensada por Douglas Almeida, Cléber “Kureb” Horta e Laila Soares no início do ano de 2005. Ela surgiu com a intenção de unir visões diferentes da moda para formar um todo mais amplo e diversificado, mas Douglas Almeida se desligou antes que a marca lançasse sua primeira coleção por ter ingressado na Faculdade de Moda SENAI-Cetiqt.

A partir de então Laila Soares passa a contar com a ajuda essencial de Kureb, que assina toda a arte gráfica, incluindo a identidade visual da marca, para continuar com o projeto.

Laila Soares é Graduada em Artes pela UFJF e sempre procurou aliar arte e moda em seus trabalhos. Algumas destas relações resultaram figurinos de teatro e roupas de artista.

O nome veio de uma interjeição tipicamente mineira que exprime com potência sentimentos de surpresa, e, além disso, é derivado do verbo crer, essencial em toda idéia nova.

Tanto por suas qualidades enigmáticas quanto por suas possibilidades poéticas infinitas é que o tema pensado para essa primeira coleção foi o universo inocente e estupefato de Mark Ryden, artista plástico e ilustrador americano. Lá governam as meninas de olhos enormes e aparência cinquentista, aquelas vendidas em bancas de jornal, com roupinhas de papel para recortar.

Laila apresentou a sua primeira coleção no Fashion Days de 2005. A trilha sonora usada para materializar a sensação de estranheza presente nos quadros foi produzida por Paulo Beto, sound designer de muita importância no cenário da música experimental brasileira e também responsável pelas trilhas de Jum Nakao. Ela conta com edição de Igor F. Beats, DJ também conhecido na cena musical local.

Por se tratar de uma coleção de alto-verão, quase todos os tecidos escolhidos são de algodão, como tricoline, gase e malha, e alguns sintéticos, porém muito leves, como tules e organzas. Muitos deles são listrados, uma referência aos papéis de parede que ambientam os quadros.

As formas são nostálgicas e volumosas e a cartela de cores é baseada em confeitos e doces, cores essas tipicamente infantis, como o verde-água e o rosa, e algumas pinceladas de vermelho-sangue, elemento muito presente nos quadros de Ryden.

FOTOS: JÚLIA MILWARD
EDIÇÃO DO VÍDEO: PAULO BETO
MODELO: CRIS ALVES
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